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O que os documentos da Igreja falam sobre Catequese e Liturgia

 

Na última edição, começamos a examinar mais atentamente alguns documentos da Igreja que tratam sobre a íntima relação entre catequese e liturgia. Vamos conhecer mais um pouco dessa riqueza.

 

O documento 84 da CNBB, Diretório Nacional de Catequese, considera, primeiramente, a liturgia como fonte da catequese, e cita a proclamação da Palavra, a homilia, as orações, os ritos sacramentais, a vivência do ano litúrgico e as festas como momentos de educação e crescimento na fé (cf. DNC 118).

 

Afirma que “os autênticos itinerários catequéticos são aqueles que incluem em seu processo o momento celebrativo como componente essencial da experiência religiosa cristã (idem). Logo a seguir, o Diretório insiste na catequese litúrgica, dizendo que “é tarefa fundamental da catequese iniciar eficazmente os catecúmenos e catequizandos nos sinais litúrgicos e através deles introduzi-los no mistério pascal” (120). Assim sendo, aponta como missão da catequese preparar o cristão aos sacramentos e o ajudar a vivenciá-los através das orações, gestos e sinais, silêncio, contemplação, presença de Maria e dos santos, escuta da Palavra etc. (cf.120)

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No texto prioritário para a 47.ª Assembléia da CNBB, encontramos a seguinte afirmação: “É muito comum criticar um certo tipo de catequese, considerada sacramentalista. Com isso se quer falar do costume de fazer do sacramento uma espécie de ‘festa de formatura’, fim do caminho, despedida da Igreja. O sacramento vira uma espécie de costume, uma devoção a mais, sem consideração do conjunto do compromisso de fé que ele sinaliza e exige”. (63)

 

E o texto continua: E aí temos um desafio. Temos que afirmar que todo verdadeiro processo catequético desemboca na celebração dos sacramentos, como momento culminante da participação no mistério de Cristo. O Vaticano II afirma que a liturgia é cume e fonte da vida cristã (cf SC 10). O sacramento é a consequência de uma fé assumida, mas é também realimentação contínua dessa mesma fé. Celebramos porque cremos e assumimos (é o cume, sinal máximo de vivência e compromisso), mas, ao celebrar, fortalecemos essa crença e esse compromisso, nos alimentamos na fonte, o que nos leva a celebrar de novo, num processo que se autossustenta. Portanto, a catequese deve levar ao sacramento.” (64-65)

 

Sobre a necessária iniciação catequética de crianças à celebração eucarística, o documento 11 da CNBB já dizia: “Embora a própria Liturgia, por si só, já ofereça às crianças amplas opor­tunidades de aprender, a catequese da Missa merece um lugar de desta­que dentro da Catequese, conduzindo-as a uma participação ativa, consci­ente e genuína”.

 

Tudo isso nos faz pensar na grande tarefa que temos de uma catequese de iniciação que realmente introduza o catequizando na experiência de Deus realizada na liturgia, conhecendo e dando sentido aos símbolos, sinais, linguagem, ritos e tudo o que compõe nosso universo litúrgico, às vezes tão distante da realidade do povo, sobretudo de crianças, adolescentes e jovens, quando não extremamente árido e enfadonho!

 

(continua nas edições seguintes)

 

 

[1] Esse texto foi originalmente publicado na Revista Brasileira de Catequese no. 129


Pe. Vanildo Paiva

Especialista em Catequese e Liturgia

01.10.2013