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A Eucaristia toma um lugar central na celebração dos sacramentos. Todos os sacramentos estão voltados para ela e encontram nela sua fonte e seu ponto culminante. É a raiz e o centro da comunidade cristã.                       

A refeição na Bíblia

Para entender toda a riqueza da Eucaristia, devemos olhar a Bíblia, tanto o Antigo como o Novo Testamento. Na Bíblia, a refeição é sinal de amizade, hospitalidade, paz e perdão, presença de Deus. É sinal da Aliança de Deus com seu povo: é sinal do Reino. Toda refeição tem algo de sagrado.

Por isto, os judeus não podem tomar a refeição com os pecadores ou pessoas de outra religião. Como alguém que não é amigo de Deus pode sentar-se à mesa onde Deus está no meio dos seus amigos?

As refeições de Jesus

Nos evangelhos percebemos que também para Jesus a refeição é muito importante. Para ele, cada refeição é celebração da vinda do Reino, da alegria que haverá de vir. Até depois da ressurreição, Jesus se dá a conhecer através de refeições.

Jesus toma refeição com os pecadores, causando grande escândalo aos judeus. Mas ele faz questão de fazê-lo para mostrar que o Reino de Deus, do qual a refeição é símbolo, é também para os pecadores. 

Também a Eucaristia é um sinal do Reino. É o banquete que antecipa a alegria do Reino, a união, a paz com Deus e com os irmãos, a fraternidade e a partilha. 

Já no AT pão e vinho eram símbolos do Reino de Deus. Jesus toma esses símbolos para celebrar sua refeição conosco. Em João(Cap. 6) Jesus se chama o “Pão da vida”. Dizendo que ele mesmo é o Pão da Vida. João quer dizer também que é necessário “assimilar “Cristo em nossa vida, fazer o seu programa de vida: doação ao Pai, aos irmãos; morrer com Cristo para poder ressuscitar com ele.           

A última refeição

No meio de tantas refeições, a última refeição do Senhor toma lugar todo especial. É a refeição da despedida e, ao mesmo tempo, a sua ordem: Façam isto em memória de Mim.          

No tempo de Jesus, cada refeição tinha uma ligação com Deus. Celebrava a presença de Deus no meio de seus amigos, anunciando o Reino. Cada refeição começava com uma oração, pronunciada pelo pai de família(ou algum hospede indicado por ele). O pai tomava o pão, levantando-o e pronunciava uma oração. Os presentes respondiam, dizendo “amém”. Em seguida, o pai repartia o pão, dando um pedacinho a cada um  e todos, ao mesmo tempo, comiam o pão. Este se chamava o pão da benção. Comendo juntos, expressavam sua adesão às palavras do pai.

Depois da refeição, recitava-se uma oração de agradecimento. O pai levantava o “cálice da benção” e pronunciava uma oração. Os presentes respondiam novamente “amém” e todos bebiam do cálice que passava entre eles.

Quando Jesus, na última ceia, repartiu o pão e deu o cálice a beber, não fez algo de novo. O novo está no sentido que ele dá a esse gesto.

Conforme os evangelistas sinóticos, a última ceia foi uma ceia pascal. Todos os anos, os judeus celebravam sua libertação da escravidão do Egito na festa da Páscoa. Naquela festa preparava-se uma refeição, acompanhada de cantos, orações e leituras. Era uma ação de graças, um ato de louvor a Deus pelos benefícios recebidos, especialmente a libertação. Comemorava-se também a aliança concluída no monte Sinai quando Deus deu a lei a seu povo. A ceia pascal seguia as prescrições como estão no livro do Êxodo. 

Fazia parte do ritual a explicação que o pai dava aos presentes do sentido da ceia. Ele devia explicar também o sentido do cordeiro, das ervas amargas e do pão ázimo. O cordeiro lembrava a libertação do Egito, ocasião em que Deus poupou as casas, cujos umbrais tinham sido aspergidos com o sangue do cordeiro pascal. As ervas amargas lembravam a amargura da escravidão e o pão ázimo a pressa com que o povo saíra do Egito, não tendo de esperar o pão fermentar. 

Assim como pai explicava tais simbolismos, também Jesus explicou o novo sentido do pão e do vinho. Depois de tomar o pão em suas mãos e pronunciar a benção, Jesus repartir o pão e deu uma parte a cada um dos seus discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês”. Na língua dos judeus, “corpo” significa a pessoa toda, Jesus quis dizer: “Sou eu que vou ser crucificado por vocês”. No fim da ceia tomou o vinho e explicou o sentido: “Este vinho é o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vocês”. Assim como o sangue do cordeiro libertou os israelitas da escravidão, o sangue de Cristo libertará da escravidão do pecado. Assim como o sangue dos animais oferecidos a Deus selava a Aliança no monte Sinai(Ex 24,8), o sangue de Cristo selará a Nova Aliança concluída na cruz.          

As refeições continuam     

As primeiras comunidades cristãs se reuniam frequentemente para a fração do pão, especialmente aos domingos. Repetiam os gestos de Jesus e celebravam assim a morte do Senhor ressuscitado. Na Bíblia, comemorar, celebrar, sempre quer dizer: trazer  o passado para o presente. Cada ceia pascal não somente lembrava a libertação, mas trazia essa libertação para a atualidade. Assim também a celebração da morte do Senhor traz o sacrifício de Cristo para o presente. O sacrifício de Cristo é único. Mas, em cada celebração da Eucaristia, comemoramos e se torna atual o sacrifício de Cristo, para que nós, conscientemente, participemos da doação de Jesus e vivamos de sua força. É o sentido da comunhão: comer o corpo e beber o sangue do Senhor, unindo-nos assim a Cristo no seu ato de extrema doação.

Os primeiros cristãos usavam a expressão “Eucaristia”. É uma palavra grega que quer dizer: “Ação de graças”. Também usavam a expressão: fração do pão e Ceia do Senhor. 

Resumindo, podemos dizer que a Eucaristia é:

-um ato de louvor e de agradecimento ao Pai pelos benefícios recebidos em Cristo;

-comemoração, recordação eficaz, do sacrifício da Nova Aliança;

-celebração da presença do Senhor Ressuscitado no meio da sua comunidade.

-sinal do Reino que deve ser anunciado e construído por nós.

 

Inês Broshuis

In: Sinal do Reino, Editora Vozes.