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As denúncias de corrupção são já uma rotina na vida política brasileira. Enquanto escrevia esta catequese, uma CPI no Congresso nacional discutia mais um escândalo. E o Supremo Tribunal Federal estava julgando, finalmente, o caso conhecido como “mensalão”, que se alastra desde o ano 2005.


O Símbolo Apostólico proclama que o Senhor Jesus há de vir julgar os vivos e os mortos. Os políticos, os banqueiros, os grandes empresários, os grileiros de terras, os traficantes de drogas, os simples cidadãos... todos serão julgados e receberão a devida recompensa – prêmio ou castigo – do que tiverem feito ao longo desta vida (2Cor 5,10).


As CPIs do Congresso nacional podem “acabar em pizza”. Alguns criminosos poderão fugir da justiça humana, mas ninguém escapará da Justiça divina. No final dos tempos, o Senhor Jesus virá e julgará todas as nações da terra e todas as pessoas. Ele separará umas das outras, “como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”. E dirá a uns: “Vinde benditos, porque eu estava com fome e me destes de comer...; eu era estrangeiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão e fostes visitar-me”;e a outros: “Afastai-vos, malditos, porque eu estava com fome e não me destes de comer”, etc. (Mt 25,31-46).

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O critério com o qual seremos julgados será a caridade, a compaixão, a misericórdia. São João da Cruz resume poeticamente: “Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor”.


Em outros tempos, a ideia do Juízo Universal tirava o sono de muitos, porque as malfeitorias e os pecados ocultos virão à luz. Hoje, porém, o “santo temor de Deus” parece fora de moda. Para alguns, “Deus não existe” (cf. Sl 10,4); para outros, Ele existe, mas é tão bom que, no final, vai deixar passar a todos, justos e injustos.


Entretanto, essa não é a doutrina da Igreja, que fundamenta tanto nossa esperança de salvação eterna, como a possibilidade de sermos condenados. A misericórdia divina é maior do que os nossos pecados, com certeza. Mas Deus respeita a nossa liberdade e pede a nossa livre aceitação de sua graça. Como diz Santo Agostinho: “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.

 

Seguindo o exemplo de Jesus, nós lutaremos contra todo tipo de corrupção política, econômica e social. Mas, mesmo se fracassarmos na defesa de um mundo melhor, nós não devemos perder a esperança no triunfo final da Justiça. Com a Esposa do Cordeiro digamos: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap. 22,20).

 


Padre Luis González-Quevedo, sj

Teólogo, pregador de retiros inacianos, diretor do Centro Loyola de Goiânia-GO

(artigo escrito no final de 2012)




Equipe do Catequese Hoje

15.03.2013