O Símbolo Apostólico diz que Jesus Cristo “foi concebido pelo poder do Espírito Santo” e “nasceu da Virgem Maria”. Tais afirmações contrastam com a mentalidade secularizada do nosso tempo. A concepção virginal de Jesus não é um fato “natural”, que possamos “provar” cientificamente, mas é uma verdade teológica, que pertence à fé católica.

 

A grande tradição católica (tanto no Oriente como no Ocidente) cunhou a expressão: “a sempre Virgem Maria”. Santo Agostinho diz que Maria “permaneceu Virgem ao conceber seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo no seu seio, Virgem sempre”.

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Pelo contrário, as igrejas protestantes, em geral, não aceitam a virgindade de Maria. Elas invocam a expressão “os irmãos e as irmãs de Jesus”, como prova de que Maria teria tido outros filhos, além de Jesus. Ora, essa expressão, que aparece nos Evangelhos, pode ser entendida, no contexto semítico, como designando os parentes próximos de Jesus.

 

O biblista Frei Carlos Mesters diz que tanto os católicos como os protestantes têm argumentos tirados da Bíblia e da tradição de suas respectivas Igrejas, mas diz também que não adianta discutir a questão só com argumentos racionais. Trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com os sentimentos religiosos de cada um: “Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta!”

 

Respeitemos, pois, a opinião dos nossos irmãos protestantes, mas exijamos que eles respeitem a nossa fé. E não permitamos ofensas à Virgem Maria, como o chute que um infeliz pastor deu na imagem de N. Sra. Aparecida, Padroeira do Brasil.


Em lugar de brigar entre si, todos os cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes) deveriam se unir em defesa da vida, da justiça e da paz. O próprio Jesus, Filho de Maria, rezou a Deus, seu Pai, para “que todos sejam um (...) a fim de que o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17,21).


A partir do Concílio Vaticano II, de cuja abertura este ano celebraremos o 50º aniversário, a Igreja Católica assumiu uma atitude “ecumênica”, de bom relacionamento com as Igrejas cristãs não católicas. Mas, o mesmo Concílio, na sua Constituição dogmática sobre a Igreja, proclamou que a Santíssima Virgem Maria ocupa o primeiro lugar na Igreja, por ser, de maneira eminente e singular, Virgem e Mãe (LG, 63). Veneremos Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja e nossa Mãe.

 

Pe. Luis González-Quevedo, sj

Teólogo, pregador de retiros, escritor.

01.01.2013