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És Tu quem nos espera
nas esquinas da cidade


e ergue lampiões de aviso
mal o dia se veste
de sombra



Teu é o nome que dizemos
se o vento nos fere de temor
e o nosso olhar oscila
pela solidão
dos abismos



Por Ti é que lançamos as sementes
e esperamos o fruto das searas
que se estendem
nas colinas



Por Ti a nossa face se descobre
em alegria
e os nossos olhos parecem feitos
de risos



É verdade que recolhes nossos dias
quando é outono
mas a Tua palavra
é o fio de prata
que guia as folhas
por entre o vento.



José Tolentino Mendonça

padre e poeta portugues

In: A noite abre os meus olhos.