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A vida atual é muito corrida. Não temos tempo para descansar, curtir a família, visitar os amigos, fazer esporte, ler, rezar... Na minha juventude, eu fui amigo do jesuíta Jorge Bergoglio (hoje, papa Francisco). Em julho, ele veio ao Brasil e eu não tive tempo de vê-lo. Nesse mês, eu tinha me comprometido a pregar três retiros inacianos. Por isso, se o papa não me convocasse expressamente (o que seria muita pretensão da minha parte), eu não tinha o direito de cancelar meus compromissos.

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Na agitação da vida atual, a Igreja mantém em vigor o Terceiro Mandamento da Lei de Deus: “Lembra-te de santificar o dia de sábado...” (Ex 20,8). Segundo o relato bíblico da Criação, Deus fez o mundo em “seis dias” e no sétimo descansou (Gn 2,2). Para o judeu piedoso, o sábado é um dia de repouso em honra de YHWH (“Adonai”, o Senhor). Por isso, não se deve trabalhar, nem viajar, nem ocupar-se com coisa alguma que distraia ou afaste do dever prioritário de concentrar a atenção unicamente em Deus.

 

Na Igreja Católica e na maioria das Igrejas protestantes, substituímos o sábado pelo domingo, Dia do Senhor, no qual comemoramos a Ressurreição de Jesus. Por isso, a Igreja nos manda “guardar” ou santificar os domingos e as festas de preceito.

 

Jesus guardava o sábado, mas olhava o sentido profundo do mandamento, o “espírito”, e não apenas a “letra”. Ele disse que “o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2,27).

 

Os fins de semana e dias santos são o tempo favorável (kairós) para amar a Deus, para pensar nele, para falar com Ele, para escutar sua Palavra e lembrar do seu amor. Por isso, nesses dias, devemos participar da santa missa e evitar aquelas atividades que desviam nossa atenção da lembrança do Senhor.

 

O papa Francisco, na época em que era arcebispo de Buenos Aires, queixava-se do excessivo peso que, às vezes, damos à culpa, à dor e ao sofrimento. “A nossa vocação é a plenitude e a felicidade”, dizia. Bernanos e o missionário Clemilson têm razão: “O contrário de um povo cristão é um povo triste” (O Mílite, junho 2013, p.13).

 

A única coisa que dá plenitude à vida humana é o amor. Mas o amor precisa de tempo para se cultivado. Não podemos deixar de buscar e encontrar tempo para amar a Deus e aos irmãos. Quanto ao nosso Querido papa Francisco, eu poderei vê-lo na vida eterna, quando todos, finalmente, teremos tempo para amar e sermos amados.

 

Padre Luís González-Quevedo, sj,

jesuíta, acaba de publicar “O novo rosto da Igreja: papa Francisco” (Ed.Loyola).

16.09.2013