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A Igreja está vivendo um grande momento para a evangelização. Percorrendo o caminho da catequese com adultos, podemos perceber que desde o Vaticano II (1962-1965), a catequese com adulto vem tomando impulso. No Sínodo de 1977 a catequese é colocada como primazia se aproximando dos adultos, pessoas com maiores responsabilidades e capacidade para viverem a mensagem cristã na sua forma plenamente desenvolvida (Catechesi Tradentae, isto é, catequese hoje, nº 43).

A partir do Sínodo a catequese vem insistindo em conseguir o seu lugar no processo de evangelização da Igreja como um processo de educação da fé, ou seja, da educação de atitudes de fé, de forma permanente, ordenada, orgânica e sistemática, enfrentando os desafios de uma rápida transformação da sociedade nos seus níveis: tecnológico, cultural e religiosa, com o objetivo de possibilitar ás pessoas uma fé madura, responsável e comprometida com o Reino de Deus, um Reino de irmãos. Assim, a catequese procura se concentrar naquilo que é comum para os cristãos exercendo as tarefas de iniciação, instrução e educação, respeitando o ritmo de crescimento de cada um e as etapas de amadurecimento da fé.

O desafio continua e hoje a Igreja, considerada uma comunidade de fé, vida e testemunho é convidada a continuar no seu papel de discípula missionária de Cristo. Mas para bem exercê-lo, ela precisa de se inserir em uma boa formação catequética que lhe permita crescer e amadurecer na fé, superando a visão de que a catequese é somente para crianças. A prioridade da catequese com adultos também é citada no Diretório Nacional de Catequese colocando a Bíblia como fonte principal e o conteúdo da mensagem catequética “Jesus Cristo”.

Jesus Cristo é o rosto da Palavra

E a Palavra se fez carne”.(Jo 1,14). É Jesus Cristo, o Filho de Deus eterno e infinito, mas também mortal. Ele vive a existência penosa da humanidade até a morte, mas ressurge glorioso e vive para sempre. É ele que torna perfeito nosso encontro com a Palavra de Deus. Ele nos faz entender que as escrituras são “carne”, palavras humanas que guardam no seu interior a luz da verdade. Esta verdade é o coração da fé cristã. Com este evento salvífico a Palavra divina entra no tempo e no espaço assumindo um rosto humano.

A Palavra sem um rosto não é completa. Diria-nos Jo: “antes, Senhor te conhecia só de ouvir, agora, porém os meus olhos te veem” (Jo 42,5).

Na tradição cristã nos diz que a mesma Palavra divina que inspirou o Livro, também se fez carne. É o mesmo Espírito.

A Bíblia constituída de formas literárias diversas também se faz “carne”. Ela guarda a memória dos feitos de deus e seu Povo. Nela encontramos as tragédias do povo, suas alegrias, tristezas, esperanças, lágrimas. Nela Existe vida, a vida de um povo em busca de sustentar a Aliança com o Seu Deus. Por isso cada leitor deve se revestir de conhecimento para perceber as inúmeras palavras que esta palavra revela.

Por isso essa Palavra tem que ser estudada, interpretada, meditada para que a sua verdade seja entendida e transmitida. Se não buscarmos estudá-la poderá ler apenas “a letra”, com isso a Bíblia será reduzida a um livro do passado, um nobre testemunho ético cultural. Dizer que Jesus é o rosto da Palavra é dizer que ele é o centro, o ápice da Revelação.

O Caminho da Palavra é a missão

‘Ide e fazei discípulos meus todos os povos… (Mt 28, 19; 10,20). Esse é o caminho sobre o qual caminha a Palavra de Deus. As Sagradas escrituras devem entrar nas famílias, escolas e ambientes culturais. Sua riqueza é um estandarte de beleza para a fé e a própria cultura, num mundo muitas vezes golpeado pela feiura e imundice.

Nesse sentido, a Igreja percebe a necessidade de exaltar a importância da Palavra de Deus na vida do povo, da comunidade e pelas estradas por onde passam todos aqueles que se colocam em busca da sua própria existência. Sua preocupação é levar o povo a melhor ouvir o que Deus quer comunicar.

Nós nos constituímos Igreja pelo acolhimento do anúncio da Palavra, pela escuta. Mas uma escuta que leva à ação. A escuta deixa marcas, enriquece a vivência espiritual, amadurece o conhecimento dos desafios. A Igreja quer que todos tenham um conhecimento da Palavra de Deus e perceba o grande valor e significado das Sagradas Escrituras para sua vida e missão. A apresentação da mensagem evangélica ao povo é para a Igreja um dever, pois ela representa a beleza da revelação, comporta uma sabedoria que não é deste mundo e é capaz, por si só de suscitar a fé, ou seja, fazer brotar e ou crescer uma fé madura que sustenta a vida em Deus. Ela é capaz de levar a uma experiência concreta, vivida com verdadeira participação, refletida, reinterpretada de tal forma que provoque transformações, que impulsione para uma mudança de vida com novos conteúdos e favoreça um sentido de vida existencial.

A Palavra de Deus é a base para oração. Conhecer a Bíblia implica colocá-la na vida. Nós católicos, rezamos, mas nem sempre oramos. Na catequese, muitas vezes se ensina mais a rezar (recitar orações) do que a orar como resposta a Deus que Se comunica conosco. Mas a catequese tem sua função primordial de transmitir a palavra de Deus. A catequese introduz, inicia na escuta e na acolhida da Palavra e do ensinamento dos Apóstolos, na liturgia, na vida moral evangélica e na oração.

A catequese quando bem trabalhada e vivenciada ela desperta no coração do homem o desejo de Deus, sua busca e contemplação. Ela tem suas raízes na revelação cristã. Portanto, a catequese deve tomar como modelo a pedagogia de Jesus. Seu jeito simples de ser e viver. Um agir que nos convida a se colocar no seu seguimento e a se empenhar na comunidade como seus discípulos e discípulas missionários. Daí a prioridade da catequese com adultos para que eles sejam os discípulos missionários de Cristo que ajudarão a levar o anúncio a todas às nações em cumprimento à ordem do Cristo Ressuscitado: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos…ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei” (MT 28,19-20).
A catequese, no seu processo de iniciação à fé, ajuda a fazer esse caminho, esse itinerário.

Vamos refletir: Como viver a minha fé em comunidade? Como fortalecer a minha identidade cristã me tornando uma presença profética e transformadora da Palavra de Deus no mundo?