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Olá catequistas!

Ao aproximar-me do Tempo Pascal, recordei de uma postagem que fiz há alguns anos inspirada por um retiro de Semana Santa. Já ouvimos de pensadores de áreas distintas do conhecimento frases do tipo: Somos aquilo que lemos (educação). Somos aquilo que comemos (biologia). Somos aquilo que vemos e falamos (comunicação). Isso nos faz perceber que somos constituídos também por aquilo que postamos, curtimos e compartilhamos.

Trazendo essas afirmações para a realidade da fé, podemos constatar que: Se nos habituamos a ler diariamente a Palavra de Deus, vamos nos transformando naquilo que lemos, no Verbo de Deus. Quanto mais comemos do Pão da Palavra e do Pão Eucarístico participando da missa, vamos nos transformando naquilo que nos alimenta, Jesus. Na medida que vamos contemplando Jesus seja na adoração eucarística, seja na vida dos pobres e necessitados, vamos nos transfigurando à imagem de Cristo. “A boca fala do que o coração está cheio” (Mt 12,34). Se falamos de Deus é sinal de que ele habita em nós, significa que tivemos uma experiência profunda como a da Samaritana que não se conteve e teve que testemunhar o seu encontro com Jesus. Da mesma forma as redes sociais vão tecendo e expondo quem nós somos, o que gostamos, as ideias que compartilhamos, a quem seguimos e com quem nos relacionamos.

Ser cristão é ser um novo Cristo. Aproveitemos o tempo oportuno da Ressurreição do Senhor para nos perguntar: Será que hoje eu, você, poderíamos afirmar como São Paulo – “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gal 2,20)? Mas, de fato, o que estamos vendo, lendo, falando e comunicando aos outros? Será que somos sinais da presença viva de Jesus hoje no mundo? A partir dessa reflexão, podemos constatar que Deus pode habitar o ciberespaço através de nós. Quando Cristo vive em mim e eu estou presente na rede, o Verbo se faz bit (parafraseando o título do livro de Moisés Sbardelotto) e habita entre os “nós” da rede que são as pessoas que dela participam.

Se o meu perfil deve transparecer o rosto de Cristo, então, o que postar nas redes sociais? No livro “Conectados para o Encontro”, simples e acessível, fruto da experiência da fé e da rede, Vinicius Farias fala em 10 passos para evangelizar nas redes sociais, mas vou destacar apenas aquilo que é essencial.

O primeiro passo e o mais importante é buscar a fonte das boas postagens. Em qualquer ação evangelizadora, frente de missão, atividade e decisão na nossa vida é preciso ser sustentada por uma intimidade com Deus através da meditação da Palavra e oração. Essa é a fonte da autenticidade de uma vida em Cristo, fonte do sucesso de uma postagem, pois, para causar efeito é necessário ser você mesmo. Como diz Bento XVI: “as pessoas que nelas [nas redes] participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma” (Mensagem para o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013).

Tendo essa base sólida da experiência de Deus, vamos aproveitar algumas dicas do marketing digital para constituirmos um comportamento adequado no ciberespaço, isso serve tanto para evangelizadores quanto para catequistas. Aliás, todo o catequista deve imbuir-se da missão de ser um evangelizador digital! 

Construa sua presença digital:

  • Foto de perfil: imagem de boa qualidade, que represente você e seja facilmente reconhecível
  • Foto de capa: é o que mais chama a atenção no seu perfil, oportunidade de divulgar algo que é importante para você
  • Defina seu tom de voz, isso determina sua imagem e reputação
  • Planeje seu conteúdo
  • Use bons títulos e sempre coloque imagens. Conteúdo visual recebe 37% mais curtidas e engajamento do que posts sem imagens.
  • Avalie seu resultado e inspire-se em ações de sucesso
  • Erros: não responder mensagens, focar só em promover seu “peixe”. 

Por que você posta? Objetivos comuns do evangelizador nas redes sociais:

  • Fazer um convite, especialmente para quem está longe.
  • Partilhar acontecimentos da vida bons ou ruins.
  • Expressar opiniões e sentimentos.
  • Criar, fortalecer e expandir vínculos.
  • Desafio: Expressar e refletir o próprio Deus. 

Evite postar:

  • Correntes: a maioria das correntes tem um fundo de superstição misturada com mensagens cristãs. O mundo não vai acabar senão compartilharmos...
  • “Defesa” da fé: não discuta religião com ninguém, principalmente não ataque outras crenças para defender a sua, lembre-se que “a Igreja cresce por atração e não por proselitismo” (vários papas já disseram isso).

Sinta-se livre para postar:

  • Histórias da vida e testemunho: “testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar escolhas, preferências, opiniões que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fale dele de forma explícita” (Spadaro, 2016, p. 37-38).
  • Acontecimentos que demonstrem fé, amor, amizade, família.
  • “Vede como se amam”: Pelo exemplo, deve-se suscitar o desejo de uma vida autêntica em Deus, alegria sadia e espontânea.

Na hora de escrever o post:

  • Use corretamente a gramática: a linguagem da internet é sintética e precisa.
  • Tenha bom senso: o que postamos não é privado, torna-se público, mundial.
  • NÃO USE CAIXA ALTA NO TEXTO. Parece que você está gritando e bravo, dando um tom histérico, ofensivo ou odioso.
  • Cuide-se com a exposição pessoal e a polêmica. Tenha discernimento!
  • Não poste qualquer coisa, não queira opinar sobre tudo que acontece.
  • Faça textos curtos e diretos: “[...] as pessoas que usam as redes sociais treinam seus olhos para achar informações relevantes de forma rápida e intuitiva”.

Concluindo:

Seja criativo e espontâneo. Poste aquilo que crês, vive aquilo que postas, pois o mundo atual anseia por autenticidade e coerência. A encarnação é o máximo da proximidade, portanto, Cristo quer habitar, tornar-se próximo também no ciberespaço. Isso se dá através da nossa própria vida e presença digital. Para postar coisas que acontecem no dia a dia, é preciso um olhar espiritual que percebe os sinais de Deus nos pequenos acontecimentos, uma postura de abertura, reconhecimento e reflexão para o novo de Deus. Devemos “aprender a olhar como Cristo, a falar como Cristo e a agir como Cristo” (FARIAS, 2015, p. 49). Com esse olhar, coisas aparentemente insignificantes, tornam-se manifestações da glória de Deus. Através da fotografia podemos captar criativamente cenas do cotidiano. Se fizer citações de passagens bíblicas, santos ou pensadores, comente-as, explique porque isso foi importante para você, partilhe o que isso mudou em sua vida. Precisamos mostrar que não apenas dizemos, mas comunicamos uma vivência.

Desejo a todos os catequistas uma vida nova em Cristo! Feliz Páscoa! Feliz Ressurreição!

Aline Amaro da Silva

 

Referências:

BENTO XVI. Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização. Mensagem para o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Roma, 2013.

FARIAS, Vinicius. Conectados para o Encontro. São Paulo: Paulus, 2015.

SPADARO, Antonio. Quando a fé se torna social. São Paulo: Paulus, 2016.