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As tensões das últimas semanas, carregadas de tantos dilemas, lágrimas e assombramentos com a violência, começa a se abrandar. Ao menos até a próxima notícia trágica, nosso amigo “tempo” vai passando e diminuindo os medos e sentimentos diversos. É nessa hora que nos acomodamos! Perdemos a capacidade de indignação e começamos a nos fechar nos conforto da individualidade. Muitos ainda choram seu mortos. Outros tantos já seguem como se nada os abalasse. Tantos homens, mulheres e famílias encontram-se perdidas com enormes faltas deixadas em casa. Outros já sofisticam as programações e planejam suas próximas aventuras, viagens, passeios.           

A vida e suas contradições promove esses ângulos. Algumas vozes proféticas gritam: “ela é alegria ou é sofrimento... ela é uma doce ilusão”? E no fundo de nós mesmos o desejo de renascer brota com aspirações por mudanças, novas oportunidades, sonhos e realizações. Desafiamo-nos a conhecer bem seus entre laços para não passarmos como estranhos na própria casa da existência, ainda que alguns hábitos deslizem das nossas mãos.          

Não temos como controlar a vida. Ela mais tarde ou ainda cedo, nos desafia a compreender que não é parte de nós: é o nosso todo.           

Logo, o que hoje instiga a não parar para rever, reconstruir, resignificar, reelaborar os próximos passos, está diretamente ligado à essa cultura individualista que toma conta da nossa consciência e do nosso coração. Culpamos o sujeito que entra na mesquita e mata. Julgamos os jovens que friamente planejam suas violentas ações. Colocamos toda responsabilidade na atitude de um e do outro. É mais fácil entender assim, deslocando para o individual, projetando para o privado. Então, o sofrimento volta a ser da família que perdeu seus filhos, da professora que viu os alunos mortos, do sujeito que esteve envolvido diretamente com os fatos.           

Os cristão tinham tudo em comum. Sofriam e sorriam juntos. Assumiam a vida como um todo que a todos pertencia e colocavam tudo em comum. Se queremos a justiça e a dignidade como bem comum, por políticas públicas, por projetos para o bem de todos, somos todos responsáveis. A dor e a responsabilidade não pode recair sobre o sujeito, vítima ou senhor solitário da ação. O que afeta alguns é também a dor de todos. O que é conquista para salvar os que precisam é disponível para todos quando necessitarem. O que transforma os sonhos para o bem destes, também é direito para aqueles. E todos somos responsáveis! E todos ganhamos! Sofremos, choramos, conquistamos e lutamos juntos pelo bem comum.

Pe. Evandro Alves Bastos

22.03.2019