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A PEDAGOGIA DA FÉ NO PROCESSO DE CATEQUESE

Novo Diretório para a Catequese

O capítulo 5 começa falando da pedagogia divina que aparece na história da salvação.  Ela está presente desde a narração relativa a Adão e Eva, símbolos da humanidade inteira, que foi criada para viver num paraíso e pode estragar o mundo de geração em geração, deixando sofrimento como herança, se fizer as escolhas erradas. Isso é uma história que precisa ser apresentada não como algo que se limita aos primeiros seres humanos mas que se aplica a todos nós em todos os tempos. 

Essa pedagogia vai revelando Deus no meio de seu povo como Pai misericordioso, mestre e sábio, num processo que culmina no mistério da encarnação e na total entrega de Jesus por nós. Jesus veio para salvar mas também para nos mostrar como devemos comunicar a mensagem de Deus. Ele acolhia os que mais precisavam (dizia que são os doentes que precisam de médico), perdoava, sabia ouvir, provocava novas reações, revelava Deus às pessoas e cada pessoa a si mesma. A catequese tem que promover um clima de acolhimento e convívio que siga o exemplo do Mestre.

Para fazer isso apresentamos os fatos do Evangelho interpretando à luz de tais eventos as atuais situações do que acontece hoje na história humana, nas variadas condições de vida de cada pessoa. Por exemplo: na Bíblia, o órfão, o estrangeiro e a viúva são os grandes representantes dos desamparados. Hoje, como descreveríamos quem está em situações semelhantes de carência? 

A mensagem cristã tem tudo a ver com o sentido da vida, a dignidade da pessoa e todos os aspectos do convívio social. Ao examinar cada fato temos que nos perguntar: o que Jesus faria diante dessa situação?

O conjunto do Diretório insiste na necessidade de apresentar o Evangelho como fonte de alegria. Cita um documento que seria bom que os catequistas conhecessem: Evangelii Gaudium (A alegria do Evangelho). Entre outras coisas, lá o papa Francisco nos diz: Anunciar Cristo significa mostrar que crer nEle e segui—Lo não é algo apenas verdadeiro e justo, mas também belo, capaz de cumular a vida de um novo esplendor e de uma alegria profunda, mesmo no meio das provações (EG 167). Ao ler essa parte do texto, me lembrei de uma experiência que vivi na década de 80, quando era supervisora de Ensino Religioso num distrito educacional do Rio. Tínhamos uma reunião obrigatória na sede da diocese todo mês. Numa dessas reuniões, o padre coordenador disse que iríamos nos confessar. Fiquei contrariada porque achei que eu é que tinha que decidir se precisava me confessar e, como achei que não precisava, decidi que ia cumprir a obrigação de estar na reunião sem participar desse sacramento. O padre nos propôs uma meditação em silêncio sobre uma pergunta: Quem já amou você com amor incondicional? Depois ele nos mostrou que assim era o amor de Deus, que nos valoriza e nunca desiste de nós; falou que, ao nos confessar, estávamos nos entregando a Deus e proclamando a confiança que nos vem desse amor incondicional, maior do que os nossos pecados. Aí, vivendo essa alegria, fui a primeira da fila no confessionário...

Outra necessidade pedagógica que o Diretório apresenta é: “a obra do catequista consiste em encontrar e mostrar os sinais da ação de Deus já presentes na vida das pessoas e, sem abrir mão deles, propor o Evangelho como força transformadora de toda a existência, à qual dará pleno sentido.” Na verdade, ter fé é também identificar a presença de Deus à nossa volta, tanto no que nos acontece e no que conseguimos realizar como na ação das pessoas que Ele coloca em nosso caminho e mesmo na natureza, sinal bonito da Criação.  Aí me lembro de uma frase bem comovente de Anthony de Mello: “Se você olhou  a árvore e viu o milagre, finalmente você conseguiu ver a árvore.”  Se olhássemos desse jeito o que nos cerca (céu, pássaros, nosso planeta, estrelas, o ar que respiramos, pessoas e tantas outras obras de Deus...) nos sentiríamos o tempo todo mergulhados nesse amor milagroso e cada dia teria um significado mais profundo. Uma atividade catequética  bem produtiva seria criar o hábito de identificar o que Deus já colocou em nossa vida. Desse jeito se alimentaria uma espiritualidade de oração permanente, de interpretação do que vivemos a partir  dessa presença amorosa do nosso Deus, que é Pai, Criador, Salvador e Fonte de graça que nos torna capazes de construir o bem.         

No capítulo 6 o tema do Diretório se liga ao Catecismo da Igreja Católica, apresentado como referência básica, uma síntese da doutrina. Como texto oficial, é um material de consulta, instrumento importante para se ter uma catequese que divulgue o que a Igreja de fato quer comunicar, evitando equívocos.  O Diretório indica até uma função especial do Catecismo no diálogo ecumênico, dizendo que ele “precisamente por considerar a Tradição católica, pode promover o diálogo ecumênico e pode ser útil a todos aqueles, mesmo não cristãos, que desejam conhecer a fé católica.” É bom lembrar que, no diálogo ecumênico, os católicos precisam conhecer bem o que sua Igreja ensina, para apresentá-la sempre num diálogo respeitoso diante da diversidade, mas sem  deturpações.       

Como 4 pilares da catequese o Diretório aponta: a profissão de fe (conteúdo do Credo), a liturgia (os sacramentos), a vivência do discipulado e a oração cristã (com destaque, é claro, para o Pai Nosso).

Pensando em tudo isso, podemos fazer nossa avaliação:

Que imagem de Deus está sendo comunicada em nossa catequese?

Nossa pedagogia combina com a de Jesus?

Nosso contato com Deus é fonte de alegria?

Sabemos viver mergulhados na presença de Deus, em tudo que nos cerca?

Como entendemos o ecumenismo que faz parte do que a Igreja nos pede?

Therezinha Motta Lima da Cruz

Imagem: formação de catequistas(Centro Loyola BH)

23.11.2020