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A Bíblia Sagrada é o mais importante livro para a integração da fé dos cristãos. No entanto, nem todas as pessoas a conhecem profundamente e nem tem a consciência que a Bíblia é a Palavra de Deus criadora, viva e eficaz, isto é, Palavra que transmite o amor de Deus para a humanidade. Completa em parábolas e vários relatos de experiências de intimidade com Deus, a Bíblia é um conjunto de livros escritos em torno de 1.600 anos, numa faixa de tempo que vai do séc. XIV a.C. ao século I d.C. em diferentes estágios da humanidade. 

É importante compreender que a Bíblia foi escrita para os homens e pelos homens; logo, ela apresenta duas faces integrantes: a divina e a humana. Assim, para interpretá-la bem é necessário o reconhecimento da sua face humana e consequentemente compreender a sua mensagem divina. Não se pode interpretar a Bíblia só em nome da “mística”, pois, podemos ser levados por ideias religiosas pré-concebidas, ou mesmo, podemos cair no subjetivismo. Por outro lado, não se pode querer usar apenas os critérios científicos (linguística, arqueologia, história, entre outros), é necessário, após o exame científico do texto, buscar o sentido teológico.

Na Bíblia é o próprio Deus que por amor a humanidade se revela através de sua Palavra. Ela é “viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4, 12). Além disso, “toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (2 Tm 3, 16-17). Ela serve para que as pessoas creiam em Cristo (cf. Jo 20, 30-31), para ajudar os cristãos a caminharem (cf. Sl 118(119), 105) e para nossa instrução (cf. 1 Cor 10, 11).

São Jerônimo dizia que “desconhecer as Sagradas Escrituras é ignorar o próprio Jesus Cristo”. Santa Teresinha do Menino Jesus, falando do Evangelho, escreveu: “Acima de tudo, o que me sustenta durante a oração é o Evangelho. Nele encontro tudo o que necessita minha pobre alma. Nele continuamente descubro novas luzes e sentidos ocultos e misteriosos” (Ms A 83v). No entanto, não basta conhecer a Bíblia, é preciso colocá-la em prática de maneira fiel e criativa (cf. Tg 1, 22). A Bíblia precisa tornar fonte da nossa força, luz de nossa caminhada e objetivo de nosso trabalho.

Na segunda epístola de São Pedro lemos “que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (2 Pd 1, 20) e também que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 3, 16b). Desse modo, o Concílio Ecumênico Vaticano II esclarece-nos que: “[...] para bem captar o sentido dos textos sagrados, deve-se atender com não menor diligência ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura, levada em conta a tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé” (DV 12).

Contudo, depois de todos esses pontos de discussões em relação à Bíblia, é visível que a fé cristã ver Jesus como verbo encarnado e vivo da Palavra de Deus que se manifesta em seu ser a agir. O mais importante é entender que a verdadeira leitura bíblica deve sempre ter em vista a finalidade principal de toda a Bíblia, que é anunciar Jesus Cristo e dar testemunho de sua Pessoa. É louvável que cada um de nós impulsione uma leitura familiar e comunitária da Bíblia, incentive os jovens na leitura e no apreço das Escrituras Sagradas, mantendo-as vitalmente unidas aos demais sacramentos da vida cristã, inspirando na Bíblia todos os demais programas de pastoral, assegurando conteúdos bíblicos aos itinerários catequéticos e às homilias, usando as novas tecnologias para fazer conhecer a Palavra de Deus. Que possamos aderir a Pessoa de Jesus com amor e vivenciar com integridade o sentido da Bíblia em nossa vida cotidiana.

Fernando Acácio de Oliveira

Seminarista da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ES, pós-graduado em Sagrada Escritura pelo Centro Universitário Claretiano-SP. Atualmente está graduando em Teologia no IFTAV-ES e pós-graduando em Direito Matrimonial Canônico no ISTA-BH.