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A bênção é uma tradição presente em todas as culturas e cultivada em muitas famílias.
 
Na minha, o encontro dos mais novos com os mais velhos é sempre precedido pela expressão; “Bença pai, bença mãe, bença tio!”.
 
Hoje, na pressa e invisibilidade da vida na cidade grande, muitas pessoas mal se cumprimentam. Perderam o sentido do rito que mora num simples encontro. E para encontrar o outro é preciso, por primeiro, re-conhecê-lo e dar-se a re-conhecer, para além dos rótulos, cargos e funções. E nesse reconhecimento mútuo muita gente diz: “fulano(a), pra mim, é uma bênção...”.
 
Deus nos fez assim, eu sou uma bênção pra você, você é uma bênção pra mim...
 
A bênção pedida, dada, compartilhada, coloca as pessoas numa outra dimensão de relacionamento. É claro que o gesto corre o risco, também, de ficar meio maquinal, automático, mas traz sempre embutida a possibilidade do respeito, do afeto, do bem que se dá e recebe, da alegria de ser e se fazer fraterno e companheiro. Além, é claro, de nos colocar em contato com o mistério dessa Presença que nos abençoa a todos.
 
A Bíblia está repleta de textos belíssimos que falam de bênção. Na tradição bíblica ela é um dom precioso que vem, quase sempre, acompanhado do gesto de impor as mãos, acrescentando às palavras o toque físico, humano, de carinho, proteção e ternura.
 
Imagino Jesus, despedindo-se de Maria e dizendo: “Bença mãe!, e Maria respondendo: “Que você nos abençoe, meu filho”. E ele, assim abençoado, seguiu seu caminho abençoando as crianças, em especial, e as pessoas, em geral, desejando-lhes a paz.
 
Os grandes santos e santas, da Igreja e fora dela, cultivavam com zelo o gesto de abençoar. O nosso Pe. Eustáquio, ao se encontrar ou se despedir das pessoas, as abençoava dizendo: “Saúde e Paz!”. A bênção está intimamente ligada à vida vivida em plenitude.
 
No livro do Gênesis, no poema da Criação, Deus, ao criar, apressa-se a abençoar; “E Deus criou o homem à sua imagem, e os criou homem e mulher. E os abençoou e disse; cresçam e multipliquem-se...”.
 
No livro dos Números (Nm 6,22-26) temos a belíssima bênção que Deus deu a Moisés, pedindo que a estendesse sobre todo o povo de Israel: “O Senhor te abençoe e te guarde. Que Ele te mostre o brilho do seu rosto e tenha misericórdia de ti. Que o Senhor te mostre o seu rosto e te dê a paz...”.
 
São Francisco de Assis adotou essa bênção e um dos seus filhos, o Frei Hilário, a ampliou e assim abençoava professores, funcionários e alunos do Colégio Santo Antônio, em BH: “Que Ele esteja à tua frente para te guiar. Que Ele esteja atrás de ti para te proteger. Que Ele esteja sobre ti para te iluminar. Que Ele esteja dentro de ti para te fortalecer. E que Ele esteja sempre a teu lado, amigo e companheiro de caminhada, Ele que é Pai, e Filho e Espírito Santo, amém!”.
 
A bênção ultrapassa as fronteiras das religiões e das culturas. Da tradição dos povos celtas chegou a nós uma belíssima bênção que diz assim;
“Que o caminho seja brando a teus pés, e o vento sopre leve sobre teus ombros; que o sol brilhe cálido sobre tua face e as chuvas caiam serenas em teus campos. E que Deus te envolva no manto do seu amor, até que nos encontremos de novo...”.
 
Hoje sei, a vida me ensinou:
O caminho nem sempre é brando, o vento nem sempre é leve, o sol nem sempre é cálido, as chuvas nem sempre são serenas e há muito desencontro pela vida...
 
O que nos salva e liberta, é essa pequena e preciosa certeza: Deus nos envolve no seu manto amoroso, abençoando-nos, mesmo quando as tempestades da vida ameaçam a paz dos dias, dos tempos, dos sonhos e desejos...  Amém.
 
 
Eduardo Machado
Escritor, educador