Ser catequista é colocar sua vocação em missão para levar aos outros o anúncio da Palavra de Deus. Dar a conhecer um Deus que ama sem reservas, com um amor profundo semelhante ao de Jesus, seu Filho.

Jesus é o modelo de catequista que nos confere uma identidade e nos molda o coração à sua semelhança. Olhando para Jesus, para o seu jeito de ser e fazer não conseguimos ficar parados, pois o seu agir nos encanta e nos transmite princípios e valores capazes de nos provocar para o exercício do nosso ministério, impulsionando-nos para exercer bem a nossa missão e nela encontrar nossa realização e alegria.

A verdadeira vocação não consiste em aderir a um projeto definido nos mínimos detalhes, mas construir uma história junto com Deus. Ele que veio fazer morada no nosso meio, vamos juntos construir a nossa história.

A vocação é um chamado que nos leva, antes de tudo, escutar a palavra para fazer boas escolhas para anunciar.

A Palavra de Deus como fonte da catequese tem um papel indispensável no processo da nossa caminhada junto à comunidade.  Na Sagrada Escritura, Deus se revela a nós e o Espírito Santo nos ajuda a aprofundar o mistério nela contido e a realizá-lo em nossa vida cotidiana. O catequista, depois de apropriar-se desse mistério em sua vida, coloca-se a serviço da palavra, comunica quem é esse Deus amor e, mediante a interação entre Palavra e Vida, prepara os corações para o encontro com ele, anunciando a Palavra com vigor e ardor missionário.

Ao anunciar a Palavra de Deus, nós catequistas estamos sempre atentos e, juntamente com os jovens e adultos vamos percebendo que os encontros se oferecem como espaço para ouvir a palavra de Deus e refletir sobre ela. A palavra chega como um farol para orientar nossas vidas e dá-nos um sentido maior, a fim de que realizemos como pessoas e como cristãos, vivamos em comunidade e possamos assumir a missão na sociedade.

A Palavra de Deus se interage com nossa vida e, nesse sentido ao refletir sobre ela, os encontros se tornam vivos, nos fazem comemorar a vida de cada um presente, os aniversários, as caminhadas, os campeonatos, gincanas e campanhas, construir novas redes. E em meio a essas alegrias, catequistas e catequizandos crescem na amizade, amadurecem suas escolhas e crescem na amizade com Jesus.

Deus gosta de misturar sua vida com a nossa. Desde o princípio foi assim. Debaixo de uma tenda criou-se o lugar de comunhão entre as pessoas do bem, que se protegem, que zelam umas pelas outras, que topam qualquer parada e partilham uma mesma missão. Na sua moradia móvel, permitia ao povo experimentar a força da união na trilha dura do deserto. Depois essa moradia de Deus chega à sua máxima expressão na pessoa de Jesus Cristo. Um jeito que ele encontrou para permanecer conosco e poder mergulhar na noite da infidelidade, da injustiça, da traição humana, sendo humilhado e punido à morte de cruz. Mas esse nosso Deus vence o poder da morte e torna imortal a nossa carne, abrindo para nós as portas da ressurreição. A humanidade de Jesus é a nova tenda de Deus para fazer sua morada no meio de nós.

É sobre esse Deus que nós catequistas nos propomos anunciar. Esse Deus que é amor e misericórdia que nos olha, nos acolhe e nos faz tenda para continuar morando no meio de nós.

E nós catequistas? nós precisamos procurar nos despir do manto do poder, da vaidade, do sabe tudo e colocar o avental de servidor. E se colocar ao serviço da evangelização em nossas comunidades.

E como podemos servir?

Servir é um ser-para-os-outros.  É o viver para o Pai e os irmãos e irmãs, como o Filho Jesus viveu. Um serviço assim vai se desdobrando em gestos de responsabilidade e perseverança nos encontros catequéticos, na atenção nos familiares dos catequizandos, no comprometimento e no engajamento nas atividades pastorais.

Trata-se de um semear sempre pela estrada afora, sentindo a brisa suave do evangelho. É um contínuo semear no campo do mundo, na imensa seara do povo.

Parabéns a você Catequistas, pelo seu dia, pelo nosso dia. Que todos juntos possamos ser Igreja “Povo de Deus”, e nas nossas relações uns com os outros e todos formemos um corpo vital “Corpo de Cristo” e como pedras vivas do edifício de Deus, profundamente unidas a Cristo, pedra fundamental, constituímos em “Templo do Espírito”.

 Partícipes do processo de Iniciação Cristã, somos configurados com o Senhor e nos tornamos um sinal vivo da sua presença e do seu amor.

Neuza Silveira de Souza. Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.