bigstock--152073314.jpg

Estimados irmãos e irmãs bom dia e feliz Páscoa!

Vedes que hoje há flores: as flores indicam júbilo, alegria. Em certos lugares, a Páscoa é chamada também “Páscoa florida”, porque floresce Cristo Ressuscitado: é a nova flor; floresce a nossa justificação; floresce a santidade da Igreja. Por isso, muitas flores: é a nossa alegria. Nós festejamos a Páscoa toda a semana, a semana inteira. E por isso nos desejamos mais uma vez, todos nós, os bons votos de “Feliz Páscoa”. Digamos juntos: “Feliz Páscoa”, todos! [respondem: “Feliz Páscoa!”]. Gostaria que desejássemos também os votos de “Feliz Páscoa” — porque ele foi o Bispo de Roma — ao amado Papa Bento, que nos acompanha pela televisão. Ao Papa Bento, todos desejemos Feliz Páscoa [dizem: “Feliz Páscoa!”]. E um grande aplauso!

Com esta catequese encerramos o ciclo dedicado à Missa, que é precisamente a comemoração, mas não apenas como memória; vive-se de novo a Paixão e a Ressurreição de Jesus. A última vez chegamos até à Comunhão e à oração após a Comunhão; depois desta prece, a Missa termina com a Bênção concedida pelo sacerdote e com a despedida do povo (cf. Ordenamento Geral do Missal Romano, 90). Assim como tinha começado com o sinal da cruz, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é ainda em nome da Trindade que se conclui a Missa, ou seja, a ação litúrgica.

Todavia, sabemos que quando a Missa termina, tem início o compromisso do testemunho cristão. Os cristãos não vão à Missa para cumprir um dever semanal e depois esquecer-se, não! Os cristãos vão à Missa para participar na Paixão e Ressurreição do Senhor, e em seguida viver mais como cristãos: tem início o compromisso do testemunho cristão! Saímos da igreja para «ir em paz» levar a Bênção de Deus às atividades diárias, aos nossos lares, aos ambientes de trabalho, às ocupações da cidade terrena, “glorificando o Senhor com a nossa vida”. Mas se eu sair da igreja tagarelando e dizendo: “Olha para isto, para aquilo...”, com a língua comprida, a Missa não entrou no meu coração. Porquê? Porque não sou capaz de viver o testemunho cristão. Cada vez que saio da Missa, devo sair melhor que quando entrei, com mais vida, com mais força, com mais vontade de dar testemunho cristão. Através da Eucaristia, o Senhor Jesus entra em nós, no nosso coração e na nossa carne, a fim de podermos «exprimir na vida o sacramento recebido da fé» (Missal Romano, Coleta da Segunda-Feira na Oitava de Páscoa).

Portanto, da celebração à vida, conscientes de que a Missa tem o seu cumprimento nas escolhas concretas de quem se deixa comprometer pessoalmente nos mistérios de Cristo. Não devemos esquecer que celebramos a Eucaristia para aprender a tornar-nos homens e mulheres eucarísticos. Que significa isto? Significa deixar que Cristo aja nas nossas obras: que os seus pensamentos sejam os nossos, os seus sentimentos os nossos, as suas escolhas as nossas. E isto é santidade: agir como Cristo é santidade cristã. Quem o exprime com exatidão é São Paulo; quando fala da própria assimilação a Jesus, diz assim: «Fui crucificado com Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu vivo-a na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim» (Gl 2, 19-20). Este é o testemunho cristão. A experiência de Paulo ilumina-nos também a nós: na medida em que mortificarmos o nosso egoísmo, ou seja, fizermos morrer o que se opõe ao Evangelho e ao amor de Jesus, cria-se dentro de nós maior espaço para o poder do seu Espírito. Os cristãos são homens e mulheres que deixam alargar a própria alma com a força do Espírito Santo, depois de ter recebido o Corpo e o Sangue de Cristo. Permiti que a vossa alma se alargue! Não estas almas tão estreitas e fechadas, pequenas, egoístas, não! Almas largas, almas grandes, com vastos horizontes... Deixai que a vossa alma se alargue com a força do Espírito, depois de receber o Corpo e o Sangue de Cristo.

Dado que a presença real de Cristo no Pão consagrado não acaba com a Missa (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1374), a Eucaristia é conservada no Tabernáculo para a Comunhão aos enfermos e para a adoração silenciosa do Senhor no Santíssimo Sacramento; com efeito, o culto eucarístico fora da Missa, quer de forma particular quer comunitária, ajuda-nos a permanecer em Cristo (cf. ibid., 1378-1380).

Portanto, os frutos da Missa estão destinados a amadurecer na vida de todos os dias. Podemos dizer assim, forçando um pouco a imagem: a Missa é como o grão, o grão de trigo que depois, na vida comum, cresce, cresce e amadurece nas boas obras, nas atitudes que nos tornam semelhantes a Jesus. Portanto, os frutos da Missa estão destinados a amadurecer na vida de todos os dias. Na verdade, aumentando a nossa união a Cristo, a Eucaristia atualiza a graça que o Espírito nos concedeu no Batismo e na Confirmação, a fim que o nosso testemunho cristão seja credível (cf. ibid., 1391-1392).

Além disso, o que faz a Eucaristia, acendendo nos nossos corações a caridade divina? Separa-nos do pecado: «Quanto mais participarmos na vida de Cristo e progredirmos na sua amizade, tanto mais difícil nos será romper com Ele pelo pecado mortal» (ibid., 1395).

A frequência regular do Banquete eucarístico renova, fortalece e aprofunda o vínculo com a comunidade cristã à qual pertencemos, segundo o princípio de que a Eucaristia faz a Igreja (cf. ibid., 1396), unindo todos nós.

Por fim, participar na Eucaristia engaja-nos em relação aos outros, de maneira especial aos pobres, educando-nos a passar da carne de Cristo para a carne dos irmãos, onde Ele espera ser por nós reconhecido, servido, honrado e amado (cf. ibid., 1397).

Trazendo o tesouro da união com Cristo em vasos de barro (cf. 2 Cor 4, 7), temos contínua necessidade de regressar ao santo altar até podermos, no paraíso, participar plenamente da bem-aventurança do banquete de núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19, 9).

Demos graças ao Senhor pelo caminho de redescoberta da Santa Missa, que Ele nos concedeu percorrer juntos, e deixemo-nos atrair com fé renovada por este encontro real com Jesus, morto e ressuscitado por nós, nosso contemporâneo. E que a nossa vida seja sempre “florida” assim, como a Páscoa, com as flores da esperança, da fé e das boas obras. Que encontremos sempre a força para isto na Eucaristia, na união com Jesus. Feliz Páscoa a todos!

Papa Francisco

Catequese na audiência geral 04.04.2018