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Catequese sobre os Atos dos Apóstolos - 18

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na leitura dos Atos dos Apóstolos, continua o caminho do Evangelho no mundo e o testemunho de São Paulo é cada vez mais marcado pelo selo do sofrimento. Mas isto é algo que cresce com o tempo na vida de Paulo. Paulo não é apenas o fervoroso evangelizador, o intrépido missionário entre os pagãos, que dá vida a novas comunidades cristãs, mas também a testemunha sofredora do Ressuscitado (cf. At 9, 15-16).

A chegada do Apóstolo a Jerusalém, descrita no capítulo 21 dos Atos, provocou um ódio feroz contra ele, reprovando-o: «Mas este era um perseguidor! Não confieis!». Como foi para Jesus, também para ele Jerusalém é a cidade hostil. Ele foi ao templo, foi reconhecido, foi levado para ser linchado e foi salvo in extremis pelos soldados romanos. Acusado de ensinar contra a Lei e contra o templo, ele é preso e começa a sua peregrinação como prisioneiro, primeiro diante do sinédrio, depois diante do procurador romano em Cesareia e, por fim, diante do rei Agripa. Lucas destaca a semelhança entre Paulo e Jesus, ambos odiados pelos seus adversários, publicamente acusados e reconhecidos como inocentes pelas autoridades imperiais; e assim Paulo é associado à paixão do seu Mestre, e a sua paixão torna-se um evangelho vivo. Venho da Basílica de São Pedro e lá tive a minha primeira audiência, esta manhã, com os peregrinos ucranianos, de uma diocese ucraniana. Quão perseguidas foram estas pessoas, quanto sofreram pelo Evangelho! Mas eles não negociaram a fé. São um exemplo. Hoje, no mundo, na Europa, muitos cristãos são perseguidos e dão a vida pela sua fé, ou são perseguidos com luvas brancas, isto é, deixados de lado, marginalizados... O martírio é o ar da vida de um cristão, de uma comunidade cristã. Haverá sempre mártires entre nós: este é o sinal de que estamos a seguir o caminho de Jesus. É uma bênção do Senhor, para que haja entre o povo de Deus, alguém que dá este testemunho de martírio.

Paulo é chamado a defender-se das acusações e, no final, na presença do rei Agripa II, a sua apologia transforma-se num testemunho eficaz de fé (cf. At 26, 1-23).

Depois Paulo fala da sua conversão: Cristo ressuscitado tornou-o cristão e confiou-lhe a missão entre as nações, «para lhes abrires os olhos e fazê-los passar das trevas à luz, e da sujeição de Satanás para Deus. Alcançarão, assim, o perdão dos seus pecados e a parte que lhes cabe na herança, juntamente com os santificados pela fé» em Cristo (v. 18). Paulo obedeceu a este encargo e mais não fez do que mostrar como os profetas e Moisés predisseram o que ele agora anuncia: «que o Messias tinha de sofrer e que, sendo o primeiro a ressuscitar de entre os mortos, anunciaria a luz ao povo e aos pagãos» (v. 23). O testemunho apaixonado de Paulo comove o coração do rei Agripa, a quem falta apenas o passo decisivo. Então o rei diz: «Por pouco não me persuades a fazer-me cristão!» (v. 28). Paulo é declarado inocente, mas não pode ser libertado porque ele apelou para César. Assim continua a viagem imparável da Palavra de Deus para Roma. Paulo, acorrentado, acaba por chegar aqui a Roma.

A partir deste momento, o retrato de Paulo é o do preso cujas correntes são o sinal da sua fidelidade ao Evangelho e do testemunho dado ao Ressuscitado.

As cadeias são certamente uma prova humilhante para o Apóstolo, que o mundo vê como um «malfeitor» (2 Tm 2, 9). Mas o seu amor por Cristo é tão forte que também estas cadeias são lidas com os olhos da fé; fé que para Paulo não é «uma teoria, uma opinião sobre Deus e o mundo», mas «o impacto do amor de Deus no seu coração [...] é o amor a Jesus Cristo» (Bento XVI, Homilia por ocasião do Ano Paulino, 28 de junho de 2008).

Queridos irmãos e irmãs, Paulo ensina-nos a perseverança na provação e a capacidade de ler tudo com os olhos da fé. Hoje pedimos ao Senhor, por intercessão do Apóstolo, que reavive a nossa fé e nos ajude a ser fiéis até ao fim à nossa vocação de cristãos, discípulos do Senhor, missionários.

Papa Francisco

Audiência Geral 11.12.2019